03/04/12

Dicas de Fotografia de Divulgação


Eudes Ciriano, o Dj Incidental, é o convidado da coluna Negócio da Música. Ele vai dar dicas de como produzir fotos de divulgação de artistas e bandas. Ciriano vai falar sobre o melhor figurino, a escolha do local e até a inclusão de peças cenográficas que integrem o universo musical do grupo. 


Existe um problema que atrapalha o caminhar de muitos grupos e artistas que é a comunicação entre a foto promocional e o release.

Aconselho os produtores, músicos, pessoas ligadas a produção artística, fotógrafos, designers e tantos outros profissionais a frequentar feiras de música e participar do máximo de painéis que puder, pois em alguns painéis com produtores estrangeiros falando de como o mercado entende os artistas e como devemos apresentar os nossos produtos, aprendi que pequenos detalhes fazem a diferença numa foto promocional da banda ou artista.

Outro ponto que me deu experiência visual foi a viagem que fiz em 2005 para o Womex (World music exposition), que é uma feira internacional de produtores que acontece uma vez por ano na Europa. Nesse ano foi em Newcastle, cidade que fica a quatro horas de Londres, Inglaterra. Lá eu vi material promocional de artistas que nunca entraram na Europa até os que são muito conhecidos mundialmente sendo expostos para o objetivo maior que é a venda.

Olhando todos os formatos de mídia disponível, a quantidade de discos, revistas, bandeirolas, souvenir, camisas, enfim, uma grande quantidade de itens com foco unicamente em artistas, o que mais me chamou a atenção foi a direção artística das fotos, deixando a imagem do artista mais fácil de identificar e de vender.

As fotos tinham um cuidado absurdo com o figurino, de acordo com o objetivo eram em locais abertos, outras em estúdio, na verdade nada diferente do que temos no nosso mercado, mas os detalhes diziam quem tinha cuidado com a imagem.

Mas se você está pensando em descobrir seu público e se quer ser descoberto, vamos começar por uma foto decente e com as informações necessárias para comprovar o que está escrito no release.


Vamos lá então:


1) Na foto precisa constar um bom figurino que seja ligado ao estilo musical ou que identifique o som que está sendo feito. não adianta roupas escuras, maquiagem pesada para apresentar um grupo de forró e o contrário também. As roupas e maquiagem têm que estar ligadas.

2) Se a foto for em lugar aberto, a preocupação com a locação é muito importante . Imagine a Banda Carcaça do Inferno, todos de preto, cabelos longos, maquiagem pesada, fotografando em uma cidade histórica, toda colorida, durante o dia, com sol aberto. Acha que é uma boa locação para esse grupo? Pois é, procure com calma e acerte o alvo.

3) Se for no estúdio, a direção de arte vai fazer o diferencial da foto. Imagine agora a banda Carcaça do Inferno novamente dentro do estúdio, o fotógrafo registra da cintura pra cima, todos com cara de rebeldes ou com raiva de alguma coisa. Quando olhar depois os músicos vão amar a luz, a cara de mal, etc, mas vai ser apenas mais uma foto de uma banda de metal. Agora vamos colocar peças cenográficas que integrem o universo musical e a poesia do grupo. Adicionar outras cores tão densas quanto o preto no cenário e na luz já muda um pouco a cara. Enfim, ousar sem abusar dos recursos ou deixar a foto enfeitada demais.

4) Se a banda é de uma formação comum, o cenário vai fazer diferença, pode ter certeza disso. se o grupo tem instrumentos ou figurino diferenciado, deve ser explorado ao máximo, principalmente a mostra do instrumento exótico.

5) Para assessoria de imprensa é importante pensar em fotos horizontais e verticais, para não ficar de fora de uma matéria importante ou de uma nota de show com foto por conta de não enviar as opções utilizadas pelas mídias impressas. Contem quantos jornais têm na cidade que você trabalha, habitualmente, e faça uma quantidade de fotos que atenda a todos sem repetir, daí fica mais fácil o jornal publicar algo que tem com exclusividade.


Penso que expressei bem o que é necessário para compor uma foto promocional, então quando contratar um fotógrafo, pense no restante da equipe, como maquiador, contrarregra, diretor de arte e diretor geral. Com certeza você terá uma produção de primeira linha. Caso não tenha grana para esse pessoal todo, entre em contato que te dou uma solução, fique certo disso também.


Eudes Ciriano é músico profissional, multi instrumentista, produtor com mais de 10 anos de experiência na construção artística e planejamento de carreira, além de outras atividades na área musical. (www.djincidental.com.br)



Link original: http://oinovosom.com.br/portal/blog/post?pid=dcc263c9-432a-46af-8633-2d38558cfb43

01/04/12

O Figurinista dos Artistas Brasileiros

Você já parou para pensar em quem está por trás dos figurinos de artistas como Luan Santana, Cauby Peixoto, Sidney Magal, Fernando e Sorocaba, Chitãozinho e Xororó, Chimbinha (da banda Calypso) e Sérgio Reis? 


É o alfaiate Carlos Saad, responsável pelas peças muitas vezes extravagantes que sobem ao palco e dão charme às apresentações. No vídeo abaixo, o repórter Caio Braz vai até ele para descobrir como é o processo de escolha dos looks. 


Assista:


http://gnt.globo.com/gntfashion/noticias/Alfaiate-de-Cauby-Peixoto-conta-como-escolhe-o-figurino-dos-artistas.shtml

31/03/12

Guia Apressado para Compor Canções

A composição musical é tratada, muitas vezes, com a mesma espécie de ‘misticismo’ que envolvem os chamados músicos virtuoses.

Nesse sentido, ouve-se muito dizer a respeito de dom, como se a habilidade de compor ou de ser exímio em um instrumento estivesse estritamente relacionada a fatores genéticos ou divinos.

Antes de tudo, é preciso desmistificar. Mesmo pessoas que possuem grande facilidade para compor começaram um dia, de alguma forma, e foram aprimorando sua técnica de composição com o tempo. Mas a pergunta crucial para quem nunca tentou compor é: por onde começar?

Pensando nisso, selecionei algumas dicas para quem pretende se aventurar nesse universo e, na hora de dar início, acaba esbarrando na pergunta acima. As dicas não possuem necessariamente nenhum fundamento estatístico, são baseadas em minhas próprias dificuldades e em bate-papos que já tive oportunidade de ter com outros amigos compositores. Não te tratam de regras, até porque como veremos no passar do tempo, quem determina se existem ou não regras é o próprio compositor.

O que vem primeiro: letra, melodia, harmonia ou ritmo?

Essa é uma dúvida que já observei em muitas pessoas que começam a compor. A verdade é que o estopim inicial do processo criativo de uma canção pode se dar a partir de qualquer um desses elementos: os versos de uma letra, por exemplo, podem sugerir contornos melódicos; sua temática pode sugerir uma tonalidade (ou a ausência dela); e a métrica dos versos pode sugerir um ritmo. De outra forma, uma melodia já pode sugerir logo de cara uma situação tonal ou atonal, e sua métrica também já pode definir um ritmo e tipos de palavras ou frases que nela se encaixam.

O que acontece, com o passar do tempo, é que cada compositor tende a se afeiçoar por uma forma de começar a canção e, posteriormente, desenvolvê-la – criando assim, a SUA forma própria de compor.

Não consigo ter idéias, ou não gosto das poucas que surgem: o que fazer?

Se esta é a dúvida, seja bem vindo ao grupo dos compositores! Com certeza, isso acontece ou já aconteceu algum dia com qualquer compositor, mesmo os mais experientes.

Para começar, é importante não bloquear idéias, por pior que possam parecer inicialmente. Não pense na idéia como o que vai estar escrito em definitivo na composição, e sim como um caminho que vai levá-lo a concluí-la. Escreva todas as idéias que surgirem, procure lapidá-las e somente depois de encontrar as melhores opções, descarte as que não te agradam.

Se ainda assim as idéias parecerem sem originalidade ou entrarem num ciclo vicioso, busque matéria-prima para a inspiração. Leia novos livros, veja novos filmes ou peças de teatro, escute novas músicas. Esteja mais antenado a tudo o que está ao seu redor, procurando quebrar sua rotina e descobrir novas situações e sensações. Com isso, certamente outras idéias surgirão.

Ok, já tive algumas idéias legais. Como desenvolvê-las?

Partindo das idéias esboçadas, podemos explorar todas as possibilidades de caminhos a seguir. Nesse momento, informação e criatividade agindo de forma combinada fazem toda a diferença, conforme abordado no item anterior. Podemos utilizar desde conceitos teóricos de composição até soluções inusitadas, baseadas em intuição.

De uma forma ou de outra, é importante não ter pressa de finalizar a canção: algumas demoram horas, outras meses ou até anos pra acabar. Ás vezes, a diferença entre fazer uma canção boa ou ruim pode estar na sabedoria em respeitar esse tempo.

Buscar parceiros para compor também pode ser uma boa alternativa. Se está tendo dificuldades com letra, procure um amigo que escreve bem, ou vice-versa. Isso pode levar a composição para caminhos muito interessantes.

Finalizando...

Depois dessas etapas, é muito provável que você tenha um esboço quase definitivo da canção. Pode ser que você esteja satisfeito com o resultado – o que é ótimo! – mas pode ser que, ainda assim, você não tenha gostado da canção.

Se isso aconteceu, procure não ter preconceito ou pudor de fazer testes: aquela melodia que parece uma baladinha melosa pode esconder um reggae bem legal. Mude a tonalidade da música, faça brincadeiras com ela. Você pode se surpreender.

Cuidado também com sua auto-crítica. Se você espera compor como um Chico Buarque, é muito provável que você se sinta frustrado, por um motivo muito simples: você não é o Chico Buarque! Procure evitar expectativas e padrões de comparação desse tipo, analisando a composição em si.

Mas se ainda assim você acha que a música está uma droga, não se preocupe. O mais importante de todo esse processo é que você desenvolva confiança na sua capacidade de criar, sabendo que para fazer boas composições, infelizmente temos que passar também pelas ruins. Considere como parte do seu aprendizado, coloque a música na gaveta e siga em frente!

Extraído de www.letras.com.br

22/03/12

Como Ser Mais Criativo


1) A pessoa criativa e sua obra são uma coisa só

Você já se perguntou por que o mundo criado pelo homem está ficando mais feio?

Eles vão construir uma ponte no meu bairro. Distribuíram imagens das propostas em folhetos e pedem que visitemos um site para votar em uma delas e dar nossa opinião. São todas ruins, na minha opinião. Tudo muito funcional e servirá bem para aliviar o fluxo de tráfego. Porém, nenhuma delas é atraente.

Antigamente, as catedrais, as pontes, os prédios públicos e as praças eram extensões da cidade, eram como roupas que a cidade usava em um dia para querer nos impressionar. Esses monumentos também eram extensões de seus criadores. Tanto Michelangelo quanto Da Vinci foram contratados, em seus dias, para criar prédios e pontes.

Um grande criador não vê seu trabalho como algo além de si mesmo. O que a criação faz é uma declaração sobre o criador, uma manifestação de sua sensibilidade. É uma de suas experiências.

Nossos prédios modernos, nossos shoppings e edifícios despojados mostram que nossa cultura é irmã gêmea da eficiência e da venda de bens e serviços.

Deus estava sendo eficiente quando criou a mulher ou foi extravagante? A nuvem é a maneira mais eficiente de molhar as plantas ou é algo funcional e esteticamente brilhante? O nascer e o pôr do sol não são algo mais do que apenas uma forma funcional de acender e apagar as luzes?


2) A pessoa criativa não apenas fala sobre seu trabalho. Ela se dedica a ele

Acho que a metade da luta de uma pessoa criativa é na hora de concluir seus projetos. Pergunto-me quantos dos maiores talentos do mundo nunca criaram nada grande, porque, embora tivessem inteligência e até mesmo habilidade, não souberam como terminar. O acabamento faz parte da arte.

Um cara que eu conheci certa vez encontrou o escritor Norman Mailer em um aeroporto e perguntou no que ele estava trabalhando. Mailer educadamente recusou-se a responder, dizendo que quando falava muito sobre um livro, isso roubava a sua motivação para escrever. Concordo com Mailer. Também acho que foi uma excelente maneira de evitar responder a uma pergunta que a maioria dos escritores ouve cinquenta mil vezes por dia! Independentemente da intenção, é verdade que quando falamos sobre nosso trabalho ficamos com a impressão de que estamos progredindo, mas na verdade não estamos.


3) A pessoa criativa não atrapalha seu próprio trabalho

O ato de criar é mais do que um trabalho. Há o processo de criar a arte, algo que é misterioso. Quem diz que não há mistério na criação, não é artista. Isto pode ser comprovado quando você pedir para ver sua arte e ele não ter nada para mostrar.

A pessoa criativa precisa aprender a trabalhar e ter uma ética de trabalho. Se ela não dedica tempo diariamente em sua mesa, tela ou pedaço de mármore, nunca terá sucesso como artista.

Mas se usar a mesma determinação inabalável para querer criar sua arte depois, irá falhar. O violinista Stephen Nachmanovitch diz que para criar você precisa desaparecer. Concordo com ele. O que ele quer dizer é que a força deve parar e a brincadeira deve começar. Quando nós brincamos, desaparecemos, não pensamos em nós mesmos, não pensamos muito sobre nossa existência ou nossos problemas.


4) A pessoa criativa encontra um ritmo… e ama esse ritmo

Se aquilo que você está criando gera em você mais pressão que satisfação, dificilmente será bem concluído. Duvido também que o resultado final seja tão bom quanto poderia ser. Você irá se esforçar como alguém que empurra um carro quebrado até o alto de uma colina. Mas se você consegue amar o processo criativo mais que o resultado final, está no caminho certo. Se você tem um ritmo, se você se levantar a cada manhã e trabalhar por algumas horas, e gostar de levantar-se e começar o trabalho, não pensará no formato final daquilo, e sim como é bom trabalhar nele todo dia. Aí, sim, a sua criação será realmente grande. Não pense na obra acabada. Pare de se contentar com algo que não existe, e pode nunca existir. Em vez disso, pense em como é bom começar algo, que você pode fazer isso, e como será maravilhoso dedicar-se mais um pouco a esse projeto a cada novo dia.


5) A pessoa criativa não trabalha com hipóteses

Gostei desta frase do filme Bravura Indômita : “Eu não trabalho com hipóteses, o mundo já é irritante o suficiente do jeito que está.”

A maioria das coisas com que as pessoas criativas se preocupam nunca acontece! Não somos tão rejeitados como imaginamos ser. Na verdade, a nossa criação nos proporciona acesso a uma grande comunidade, mesmo se tivermos alguns críticos. Nosso eventual fracasso nunca é tão ruim quanto imaginávamos, e mesmo assim a maioria das pessoas dificilmente nota. A maioria dos medos que nos assaltam como pessoas criativas tem a ver com situações hipotéticas, coisas que poderiam acontecer. Mas isso é um desperdício de nossa preciosa energia criativa. Muito provavelmente, as coisas que achamos que vão acontecer nunca se tornarão realidade. Quem cria assume riscos, enquanto quem consome vive em segurança. Você é um criador ou um consumidor?

Quando você é tentado a ter pensamentos sobre desgraças, pergunte-se quais são os seus problemas reais, não os hipotéticos. O mais provável é que você tenha poucos problemas reais. Certamente, a maior resistência entre você e sua criação está na sua cabeça. Logo, a única coisa que você realmente precisa fazer… é trabalhar!


Donald Miller, escritor ("Um milhão de quilômetros em mil anos", "Como os pinguins me ajudaram a entender Deus")

Texto publicado em seu blog, e traduzido por Jarbas Aragão para o Pavablog

13/03/12

A Canção é como Parir

Compor uma canção, pra mim, é como parir.

É um milagre. É ver aquela mistura amorfa de sonho e pensamento que viviam apenas em você se tornarem real. Escrito em papel, audível em som. Não há prazer no mundo que se compare a isso.

Pense naquela pessoa que você ama. Ela pode ser o tema da sua canção.


Mas pensa naquela que você ODEIA. Ela também pode ser alvo da sua canção.

A canção é democrática.

 
Design by FWPT | Adaptado por Cláudio Sant'Ana